Temos de falar mais sobre a menopausa

Temos de falar mais sobre a menopausa

Escrito por: Prof. Doutora Alexandra Matias

A juventude parece durar para sempre. Concordamos que ser jovem é entusiasmante e agradável. Gostamos de falar sobre o empoderamento de ser jovem e partilhamos de bom grado as boas experiências.


A menopausa existe para sempre e envelhecer pode tornar-se um processo seriamente decadente e sintomático. O envelhecimento é algo de que não gostamos de falar e tendemos a esconder o desconforto e o estigma. 

 

Mas, por favor, acabaram-se os segredos; acabou-se a vergonha, acabou-se o silêncio.

 

É inevitável: cem por cento dos humanos nascidos com ovários passarão pela menopausa, se viverem o tempo suficiente. No entanto, menos de 10% terão acesso à ajuda de que necessitam para gerir esta transição tão acidentada.


A maioria das mulheres não sabe que os seus sintomas desagradáveis estão relacionados com alterações hormonais, nomeadamente pela diminuição dos níveis de estrogénio quando os ovários esgotam a sua função. Esta queda hormonal pode ter consequências graves. Por exemplo, em mulheres com idades compreendidas entre os 45-64 anos a taxa de suicídio é mais elevada do que qualquer outro grupo de mulheres, em parte devido a estas alterações hormonais. 

 

A maioria das mulheres não têm conhecimento sobre o seu corpo, pelo que muitas vezes não têm forma de expressar o que sentem, nem têm a certeza de a quem perguntar. Porque é um "segredo" estigmatizado, não é ensinado nas escolas, as mães não falam com as filhas, as amigas não partilham histórias, as mulheres estão bastante relutantes em mencionar os seus problemas aos seus médicos. 


Como ginecologista, na maioria das vezes, sou eu que questiono sobre os sintomas desagradáveis ou as mudanças relacionadas com a menopausa, que foram liminarmente descartados como "fazendo parte dela" e que acreditam serem insolúveis. Pior ainda, porque não é ensinado ou porque lhe é dada pouca atenção nas escolas médicas, os médicos estão mal informados sobre o assunto e desvalorizam os sintomas da menopausa como sendo inevitáveis e parte da vida. Muitas mulheres estão a sofrer desnecessariamente.


Porque só quando as mulheres forem capazes de falar sobre os seus problemas, terão verdadeiramente o apoio de que necessitam para prosperar nesta rica, vibrante, sexy e desafiante segunda metade da vida.


Com o nosso blog queremos trabalhar para fazer da menopausa uma parte da conversa tão normal como a artrite, tão pouco ameaçadora como falar sobre a necessidade de novos óculos, tão comum como discutir o seu regime de cuidados com a pele. Farei o meu melhor para responder aos desafios mais comuns que as mulheres enfrentam durante esta nova fase. O que causa os afrontamentos/calores noturnos? Como podemos prevenir ou curar a osteoporose ou a sarcopenia? Como podemos ajudar as mulheres a dormir melhor durante a noite? Como podemos melhorar as dificuldades sexuais? 


Acontece que esta transição é bastante exigente. Estas mulheres em processo de envelhecimento estão em grande necessidade. Precisam de ajuda com a secura vaginal,, mas também de ajuda com o aumento de peso, insónia, dores nas articulações,, lentificação cerebral, afrontamentos, raiva, ansiedade e depressão, queda de cabelo, aumento do pelo facial, e assim por diante. Sinto-me sempre derrotada com esta lista interminável de sintomas, principalmente porque eu própria os experienciei na primeira pessoa.


Os afrontamentos são desagradáveis, mas quão piores serão, se temos que  escondê-los, porque são embaraçosos, porque nos fazem parecer velhos e fora de controlo? Se fossem "normais", podíamos simplesmente abrir uma janela e continuar em vez de tentar fugir para a casa de banho e esperar que tivéssemos uma camisa extra. Se os afrontamentos não fossem vistos como "normais", talvez os cientistas já tivessem feito mais investigação e tivessem mais opções para os controlar.


Como poderíamos começar a lidar com tanta desinformação? Já tenho uma resposta: vamos falar, vamos começar a conversa agora. A menopausa seria muito menos impactante se fizesse parte de uma conversa normal, quotidiana e sem vergonha.

 

Felizmente, há cada vez mais inovações surpreendentes para ajudar as mulheres a dormir, aliviar os sintomas, aprender a proteger os seus ossos, cérebros e corações da falta de estrogénio, melhorar a sua pele e vagina, e portanto entrar nesta segunda metade das suas vidas de forma  saudável, vibrante, informada e sem vergonha. Só falta mesmo acabar com o preconceito.

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